A Causa Monárquica é um assunto de certa forma distante do cotidiano do brasileiro. Nosso passado Imperial, por vezes, parece ter ocorrido há milênios e não há pouco mais de cem anos, como realmente foi. Todavia, há um movimento surgindo através das redes sociais o qual busca a conscientização de que há uma proposta monárquica para o Brasil. E fomos em busca de algumas respostas para esclarecer ao leitor qual proposta seria esta de um Brasil Imperial.

E para isso Dom Luiz de Orleans e Bragança, Chefe da Casa Imperial do Brasil, nos deu a honra de responder algumas perguntas nesta entrevista:

1- Alteza Imperial e Real, a causa monárquica é pouco conhecida no Brasil. Vossa Alteza poderia explicar o fato e falar sobre as atividades da Casa Imperial?

Depois do exílio da Família Imperial e da proibição da atuação monarquista no Brasil por quase 100 anos, nosso passado histórico foi sendo aos poucos silenciado. Mas atualmente o movimento cresce vertiginosamente nas redes sociais com a participação intensa de jovens monarquistas, além da costumeira fidelidade dos antigos amigos de nossa Família. Na internet, mesmo com o inexplicável silêncio da grande imprensa, é fácil encontrar entrevistas e reportagens minhas, de meus irmãos e sobrinhos.

2- Com quais recursos a Pró Monarquia mantém suas atividades?

A Pró Monarquia, que nos dá suporte, depende exclusivamente do trabalho voluntário e de doações de fiéis monarquistas, sempre visando a propagação de nossos ideais.

3- O Brasil é reconhecidamente um “país sem memória”, e o período Imperial sofreu, e ainda sofre, com uma campanha difamatória dos republicanos. Há algum trabalho da Casa Imperial visando à reconstrução desse período e da imagem de seus líderes?

Esse é um trabalho que requer tempo, mas consideramos que apesar de tudo, de fato nossos Imperadores não foram esquecidos. D. Pedro II continua conhecido pela sua imensa sabedoria, virtudes e amor pelo Brasil. Tenho incentivado projetos de resgate de nossa história para serem difundidos nas mídias e nas escolas. O 15 de Novembro republicano é quase que totalmente ignorado pelos brasileiros, enquanto o 7 de Setembro, dia de nossa Independência, é conhecido e festejado pela imensa maioria de nossa população. Recentemente uma emissora de televisão promoveu uma pesquisa sobre os brasileiros mais ilustres de nossa história e a Princesa Isabel ficou em segundo lugar, na frente de políticos, presidentes e artistas.

4- Como as redes sociais tem ajudado a causa monárquica?

À medida que meu trisavô, D. Pedro II, fica conhecido como o maior estadista do país, por exemplo, os brasileiros se perguntam o que aconteceu com sua família, as razões do golpe republicano, o porquê do exílio e do confisco de seus bens. Procurando respostas a questões como estas muitos encontrarão na Internet farto material histórico. Como visto nas perguntas anteriores, as redes sociais são os veículos mais populares e viáveis para quem não dispõe da máquina estatal ou de ajuda financeira de grande porte. Jovens monarquistas estão “viralizando” nossa verdadeira história através de sites, blogs, no facebook, youtube e issuu, entre outros. Em nosso site é possível obter informações e cadastrar-se para receber o nosso boletim “Herdeiros do Porvir”.

5- Uma das maiores alegações contra a Monarquia é seu suposto custo elevado. O que V.A. tem a comentar sobre o assunto?

Pesquisas mostram que o regime monárquico é de longe muito mais barato do que o republicano. Para citar somente o Brasil, dados do “Transparência Brasil” mostram que a presidente Dilma custa aos brasileiros o dobro da Rainha Elizabeth, sendo que a Rainha da Inglaterra gera para seu país, através sobretudo do turismo, receita doze vezes superiores a sua dotação.

6- O Brasil sofre com um declínio moral, social e político muito grande em virtude de décadas de políticas esquerdistas e populistas. Qual o posicionamento da Casa Imperial diante desse quadro caótico brasileiro e qual seria o caminho a ser seguido para o resgate da moralidade no país?

Na Semana da Pátria do ano passado dirigi Mensagem aos brasileiros — “O Brasil atravessa talvez o momento mais grave de sua história” — que foi amplamente difundida pela Internet e publicada em nosso boletim “Herdeiros do Porvir”. Nesse documento afirmo que em outras épocas atravessamos momentos também difíceis, mas tínhamos grandes estadistas. Afirmei ainda que hoje nosso País assiste, estupefato, a uma degradação moral e institucional sem precedentes, enquanto nossa população tem manifestado um sadio e inesperado vigor em defesa de um Brasil autêntico e fiel a si mesmo. Dou o exemplo de um dos brados ouvidos durante as passeatas de 2015 “a nossa bandeira jamais será vermelha” que é uma amostra do Brasil verdadeiro, sem máscara e conservador. Considero assim meu dever alertar os brasileiros, e, particularmente, as classes dirigentes para que se articulem em torno de seus chefes naturais, com o objetivo de, por meio de soluções sábias e orgânicas, façam refluir para dimensões mínimas o perigo que hoje se abate sobre a Nação. O governo que não consegue auscultar o seu povo não é digno de governar!

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7- Como V.A. se define politicamente? Quais os valores que defende?

Como Chefe da Casa Imperial não tomo posição político-partidária, mas sou favorável à livre iniciativa, a propriedade privada, ao princípio de subsidiariedade, ao exercício da liberdade para defender a própria honra e a moralidade familiar ou social. Defendo o capitalismo, apesar de considerá-lo imperfeito. Por princípio, fé e educação sou católico e sigo os tradicionais ensinamentos da Igreja. Meus irmãos e eu não cansamos de repetir que se uma cidade, Estado ou país fosse governado seguindo os dez mandamentos da lei de Deus que mal haveria de ter?

8- Um dos slogans do governo é “Brasil, o país do futuro”. Mas esse futuro nunca chega. Como V.A. encara o potencial brasileiro para avançar e se transformar no país que todos almejam? O Brasil pode vir a ser protagonista no cenário mundial?

Muitos acham que a restauração da Monarquia é o remédio para acabar com todos os males de nossa Pátria, mas isso é impossível. Entretanto considero que através dela podemos criar condições para diminuir ou sanar muitos deles, entre os quais talvez o maior seja a corrupção. Por outro lado, ao longo de mais de um século a República colocou enormes empecilhos para o desenvolvimento da pátria, entre os quais a burocracia e impostos cada vez mais altos. O peso estatal nos ombros dos brasileiros se tornou insuportável. Em muitos aspectos nos identificamos mais com uma ditadura totalitária do que com uma democracia. Com certeza o regime monárquico respeitará a livre iniciativa, retirando de nosso caminho tudo que possa prejudicá-lo. Feito isto, o Brasil com certeza voltará a ocupar no cenário internacional o papel de destaque de que gozava antes da imposição, por um golpe de estado, da República.

Recentemente postamos na nossa Página no Facebook, que das 10 economias que mais desenvolveram capital humano em 2015, de acordo com o Fórum Econômico Mundial, 8 são Monarquias Parlamentares, e das duas Repúblicas restantes na lista, nenhuma é Presidencialista.

9- Olavo de Carvalho é hoje um dos maiores líderes do conservadorismo brasileiro, e por vezes já se pronunciou a favor da causa monárquica. A Casa Imperial tem mantido algum diálogo com ele?

Sabemos das posições favoráveis à Monarquia por parte do jornalista e filósofo Olavo de Carvalho. Em diversas ocasiões teceu elogios à Família Imperial e aos príncipes, afirmando que os mesmos teriam legitimidade e força moral para liderar um movimento que tirasse o país da triste condição em que se encontra.

10- O regime monárquico é de certa forma abstrato no imaginário dos brasileiros. A Casa Imperial tem alguma proposta de restauração da monarquia no Brasil? Como seria e quais as vantagens dessa opção?

Por ocasião do Plebiscito de 1993 elaborei o documento “Propostas Básicas com vistas à Restauração da Monarquia no Brasil”. Em 2009 foi revisto e atualizado. Embora curto, contém regras gerais que balizam a volta da Monarquia. Formulo propostas de interesse e correspondente aspirações dos brasileiros. São medidas sérias, objetivas e factíveis. Em linhas gerais, nele afirmo que a Monarquia deve ser Constitucional e Parlamentarista, em que o soberano como Chefe de Estado, exercendo o Poder Moderador, garanta o equilíbrio entre os demais poderes, exerça a chefia das forças armadas e da política externa. Já o Primeiro Ministro deve ser responsável pelo governo e pela administração nacional. Em suma, os interessados facilmente encontrarão o documento na Internet, através de pequena pesquisa, ou poderão entrar em contato com a Pró Monarquia que enviará por e-mail.

11- O que seria necessário para uma eventual troca de sistema político?

Para ocorrer a Restauração Monárquica temos que criar condições psicológicas para tanto, esclarecendo a opinião pública a respeito das vantagens desse regime e quanto a Nação se beneficiaria com ele. Para isso, estimulamos a formação de grupos de estudos e de cultura monárquica em todo país. Assim, naturalmente e sem traumas, através de plebiscito ou aclamação, a restauração ocorrerá, sempre dentro da ordem e sem violação da lei.

12- Existe um imbróglio na questão da sucessão ao Trono brasileiro entre os ramos de Petrópolis e de Vassouras. Essa questão se iniciou por ocasião da abdicação de D. Pedro de Orleans e Bragança, Príncipe do Grão Pará, ao se casar com Elizabeth Dobrezenicz, que não possuía título de nobreza. Porém, o ramo de Petrópolis alega que o documento não tem valor legal, e portanto são os legítimos herdeiros do trono. Como está essa questão atualmente? Esse imbróglio influencia na questão do laudêmio, que o ramo de Petrópolis recebe?

Não existe nenhum imbróglio. Na verdade esta é uma situação criada pela imprensa republicana na tentativa de dividir o movimento monárquico. É necessário frisar que jamais D. Pedro de Alcântara, filho mais velho de minha bisavó, a Princesa Isabel, retrocedeu em sua renúncia, como homem honrado que era. A questão da renúncia foi livre e longamente meditada por ele. Tal ato de renúncia é unilateral, juridicamente válido e reconhecido internacionalmente. Portanto não há o que discutir. Quanto ao laudêmio, é recebido pelos descendentes da família de D. Pedro de Alcântara, o ramo de Petrópolis. A Casa Imperial do Brasil não recebe nenhum centavo desse tributo, que aliás é pequeno comparado à infinidade de outros. O laudêmio, é um direito reconhecido pela Constituição e várias instituições gozam desse direito como a Marinha, a União Federal, Ordens religiosas, entre outros.

13- Queria agradecer a oportunidade e deixar o espaço para que V.A. possa mandar uma mensagem a nossos leitores.

Conclamo os brasileiros a não se deixarem abater ou se entregarem ao derrotismo por causa da crise atual. Tenho certeza de que o Brasil saberá voltar as vias que nos foram traçadas pela Divina Providência, das quais jamais deveria ter sido afastado.

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