O ocorrido a seguir se deu no início desse mês e deu muita polêmica nas redes sociais.

Thauane Cordeiro -uma jovem branca caucasiana que sofre de leucemia mieloide aguda- estava em uma estação de ônibus em Curitiba. Ela usava um turbante.

Ela percebeu que estava sendo encarada, por duas jovens negras. Ambas finalmente se aproximaram de Thauane e lhe deram uma exortação: sendo Thauane branca, ela não tinha o direito de usar um turbante, pois tal adereço é típico da “cultura afro”, podendo ser usado apenas por negros. Ao usar um turbante, Thauane, que é branca, estava praticando uma violenta “apropriação cultural”.

A jovem, indignada, respondeu: “Tá vendo essa careca? Isso se chama câncer, então eu uso o que eu quero! Adeus.”

Quando Thauane foi relatar sua experiência em sua página no Facebook. Toda a corja de progressistas e pós-modernos se manifestou. Mesmo tendo usado o turbante por causa do câncer, os “militantes em prol da tolerância e respeito às minorias” floodaram o Facebook e Twitter dela, dizendo que “câncer não é desculpa para se apropriar da cultura negra”.

Veja alguns exemplos dessa “tolerância e respeito” que a esquerda progressista tanto prega:

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Do alto de suas torres de marfim, progressistas iluminados ditam regras de como se associar livremente em sociedade, querendo impor limites desnecessários que gerarão -e geram- conflitos raciais e culturais. Em suma, uma guerra de classes, não aquela antiga teoria marxista que joga o proletariado contra a burguesia, mas num novo arranjo, numa nova roupagem em que jogam setores estratégicos da sociedade uns contra os outros, assim gerando um dialética civilizacional em busca do tão esperado “progresso”. Porém, no caminho deixam um rastro de destruição moral e civilizacional sem precedentes.

Jogando raças umas contra as outras, eles só vão fazer o contrário do que se dizem a favor; ao invés de igualdade racial e social, só gerarão um “efeito mola” ainda mais racista. Fomentando mais racismo e segregação contra os outros e contra si mesmos.

Mas, se formos analisar de forma profunda o comportamento dessa militância racialista/progressista perceberemos algumas incoerências com o seu próprio discurso. O negro que fala português pratica, então, apropriação cultural contra os europeus? Se usa calças estão usurpando elementos da cultura gaulesa? Se come pizza está usurpando a cultura italiana? Ou pintar os cabelos de amarelo -como a diva deles Beyoncé faz- seria um roubo da cultura germânica? Se formos seguir esse pressuposto ao pé da letra, o próprio multiculturalismo pregado por eles não seria possível, sendo que ele supostamente envolve diálogos inter-culturais. Seria então muito menos possível que ocorresse a globalização, que é aquilo que permite você estar lendo esse artigo nesse exato momento. Enfim, a lista é interminável e também insuportável.

Quem os progressistas pensam que são para me proibir de algo que não fere a liberdade alheia? Qual é a real intenção de tal prepotência e arrogância? Ora, mas para ocorrer uma apropriação é necessário haver propriedade seria a cultura algo “apropriável”?

O filósofo e economista Hans Hermann Hoppe explica:

“Apenas porque existe escassez existe um problema de formular leis morais; apenas se os bens são superabundantes (bens “livres”), nenhum conflito quanto ao uso dos bens é possível e nenhuma coordenação de ação é necessária. Consequentemente, disso segue que qualquer ética, corretamente concebida, deve ser formulada como uma teoria da propriedade, ou seja, uma teoria da atribuição de direitos de controle exclusivo sobre meios escassos. Só assim se torna possível evitar conflitos até então inevitáveis e sem solução.”

Ou seja, algo só se torna propriedade privada de alguém se esse algo for limitado, escasso ou finito, e se algo é, digamos, infinito ou superabundante, não se é apropriável por ninguém, pois, não são necessárias leis éticas ou morais para coordenar o fluxo de recursos ilimitados. Essas leis só se fazem necessárias na medida em que a disputa por esses recursos causa conflito pela sua posse, e algo ilimitado pode ser possuído por todos, logo, não existe necessidade de pertencer somente à determinada(s) pessoa(s), muito menos se faz necessário conflito por esses recursos infinitos. A cultura seria um bem, por assim dizer, ilimitado. A minha adesão à determinada cultura não subtrai a sua, logo, ela não é escassa.

Além de prepotente e arrogante, a ideia de “apropriação cultural” é insipida e incoerente por si só.

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